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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vítimas de nós mesmos...



Quantas pessoas do nosso convívio conseguem nos tirar do sério? Quantas pessoas que conhecemos, conseguem nos fazer perder a paciência?

Frequentemente usamos dessas expressões para justificar nossa descompostura ou desequilíbrio, ao culpar fulano ou beltrano.

Agora nos resta perguntar por que alguém consegue fazer-nos perder a paciência, ou por que alguém é capaz de provocar uma mudança em nossa atitude.

E esses nossos descontroles cotidianos acontecem em qualquer ambiente. Algumas vezes na família, outras tantas no trabalho. Ou, ainda, nas corriqueiras relações sociais.

E sempre estamos a justificar que a culpa é de alguém. Sempre estamos prontos a explicar que se não fosse essa ou aquela pessoa agir desta ou daquela forma, nada disso aconteceria.

Colocamos a culpa do descontrole em alguém, em algo e, ao nos tornarmos vítimas da situação, nada nos resta a fazer, pois afinal, o problema está nos outros e não em nós.

Mas, será que somos apenas reféns das situações, e realmente nada podemos fazer a não ser reagir a elas?

Lembremo-nos da última contenda, da última discussão na qual nos envolvemos. Nada poderíamos ter feito para evitá-la? Nada estava ao nosso alcance para que a situação fosse minimizada?

Recordemo-nos do nosso último desentendimento familiar. Será que a maneira como agimos e nos comportamos realmente era a única possível?

Ao fazermos essa breve análise, claro fica que poderíamos ter tido outras atitudes.

Poderíamos nos calar em algum momento, ao invés de soltar a palavra ácida e corrosiva. Poderíamos buscar o entendimento ao invés da provocação. Poderíamos suavizar o tom de voz ao invés dos arroubos no falar.

Porém, se optamos por agir de outras maneiras, não foi culpa de ninguém, nem de situação nenhuma. Foi apenas uma opção pessoal.

Poderíamos ter pensado antes de falar, refletido antes de agir, mas preferimos a reação à ação. Enquanto a reação é irrefletida e calca-se nos instintos, a ação é atitude pensada e amadurecida na reflexão.

Desta forma, ao dizer que perdemos a paciência, ao constatar que saímos do sério, somos responsáveis por essas atitudes. E, apenas vítimas de nós mesmos.

Jamais poderemos justificar que alguém nos faz perder a paciência. Ao contrário, somos nós que não temos a paciência suficiente para a situação que se apresenta.

Ou ainda, de maneira nenhuma poderemos acreditar que algo ou alguém nos faz sair do sério, nos faz perder a compostura.

A atitude tomada é sempre uma opção de cada um que, perante tal ou qual situação, não consegue ou não quer comportar-se de maneira mais digna ou melhor.

Assim, não mais nos permitamos ser vítima de nossas próprias atitudes ou reações.

Reflitamos antes do agir, pensemos mais detidamente antes de falar e, acima de tudo, compreendamos que todas as nossas relações sociais, por mais difíceis que nos pareçam, são lições abençoadas no aprendizado do amor ao próximo.

Redação do Momento Espírita.
Em 22.11.2010.

Abraços

J.L.Veiga

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Estudar e viver integralmente o Espiritismo...


Divaldo Pereira Franco é entrevistado sobre os 150 Anos de "O Livro dos Espíritos" e os 60 Anos de seu trabalho na difusão do Espiritismo, e faz comentários acerca do Movimento Espírita no Brasil e no Exterior.

Reformador: Qual o impacto que "O Livro dos Espíritos" provocou em sua vida?

Divaldo: Quando fui orientado pelo Espírito Manuel Vianna de Carvalho, a ler “O Livro dos Espíritos”, no ano de 1946, ele me informou que, através do estudo dessa obra básica do Espiritismo, eu encontraria os elementos fundamentais para tornar-me espiritista. O seu desconhecimento, embora eu fosse médium, não me credenciava à compreensão da finalidade da existência terrena, do destino, dos sofrimentos, da imortalidade. Li-o, pois, uma, duas, diversas vezes (e continuo estudando-o), fascinando-me com os seus ensinamentos, com a lógica das questões – perguntas, respostas, e os comentários do Codificador – desde o primeiro momento, o que resultou numa real modificação de metas em minha atual existência. Sem o conhecimento dessa obra excepcional, eu continuaria tropeçando nas sombras da ignorância e da perturbação, comprometendo-me com o erro cada vez mais.

Reformador: Quais foram suas primeiras atuações espíritas no Brasil e no Exterior?

Divaldo: Em a noite de 27 de março de 1947, na União Espírita Sergipana, em Aracaju, proferi a primeira palestra espírita desta minha existência carnal. No dia imediato, por solicitação do então presidente da mesma, José Martins Peralva Sobrinho, pronunciei a segunda, a fim de atender ao público que acorreu àquela nobre Instituição. Em seqüência, viajei ao interior do Estado da Bahia, dando prosseguimento ao compromisso espontaneamente assumido. Em março de 1948, viajei a Belo Horizonte, onde pronunciei diversas conferências. A primeira palestra fora do Brasil foi em Buenos Aires, na Confederación Espiritista Argentina, a convite da Federación Espiritista Juvenil Argentina, dirigida por Juan Antonio Durante, no mês de novembro de 1962. No ano seguinte, estive em Montevidéu, a convite da Sociedad Espírita hacia la Verdad, quando proferi a primeira palestra no Uruguai. Posteriormente, estive em Assunção, no Paraguai, havendo visitado até este momento 59 países dos cinco continentes.

Reformador: Qual avaliação ou lição que destaca em seus 60 anos de labor na difusão do Espiritismo?

Divaldo: Fazendo uma análise evocativa das atividades desenvolvidas nestes sessenta anos de dedicação à Doutrina Espírita e sua vivência, constato que poderia haver produzido muito mais. Nada obstante, considerando as circunstâncias de cada período, verifico haver-me desincumbido do compromisso moral que assumi espontaneamente, com o melhor de mim mesmo. Eram muito mais difíceis as viagens, o acesso aos veículos de comunicação de massa, a conquista dos auditórios leigos. Sendo funcionário autárquico, vinculado ao Instituto de Previdência e Assistência do Estado (IPASE ), somente dispunha dos fins de semana, dos feriados, das férias, que aplicava no atendimento aos convites que me eram formulados. Em diversas cidades do Brasil e de inúmeros países, tive a honra de proferir publicamente palestras espíritas em meios hostis, enfrentando regimes totalitários, como em Portugal e Espanha, situações de beligerância, como no Panamá e Venezuela. Constato que venho realizando o que me é possível até o limite das forças, conforme o sábio conceito do egrégio Codificador. Tenho conseguido resistir a muitos embates, a acusações de toda ordem, a agressões morais e físicas, ao descaso e à zombaria, a perseguições sistemáticas, sem que jamais haja revidado ou me permitido o luxo de defesa. Em silêncio, e tentando fazer o melhor ao meu alcance, sigo adiante, buscando o Guia e Modelo da Humanidade, que foi plantado numa cruz, e o eminente mestre Allan Kardec, que pagou altíssimo preço pela coragem de ser fiel à tarefa que lhe foi concedida, conforme narra em Obras Póstumas, quando analisa o primeiro decênio após a publicação de O Livro dos Espíritos, em admirável nota de rodapé ao seu diálogo com o Espírito Verdade acerca de sua missão.

Compreendi, desde cedo, que a dedicação a uma causa do relevo do Espiritismo, além de ser honra que considero não merecer, é um desafio às forças do Mal que conspiram contra o Bem na Terra. Nunca, porém, têm me faltado o apoio, a dedicação e o carinho dos Benfeitores espirituais e de amigos especiais que são mais do que irmãos. Assim, nunca desanimei, prosseguindo com imensa alegria na lavoura do Senhor.

Reformador: Como analisa os 150 Anos da Doutrina Espírita?

Divaldo: Este período que medeia entre a data do surgimento do Espiritismo no mundo, em 18 de abril de 1857, e a atualidade, confirma a excelência da Doutrina que os guias da Humanidade trouxeram à Terra e da qual Allan Kardec se fez o Codificador. Isto porque, embora as relevantes conquistas do pensamento científico, filosófico e tecnológico houvessem alcançado patamares jamais dantes imaginados, nenhum dos seus ensinamentos foi ultrapassado, nenhum dos seus paradigmas sofreu qualquer alteração, antes, pelo contrário, os seus postulados têm recebido confirmação dos mais diferentes ramos do conhecimento, mantendo-se perfeitamente atuais. O Espiritismo tem podido avançar com as doutrinas científicas e filosóficas que nele encontram as explicações necessárias para a perfeita compreensão dos fenômenos que vêm estudando.

Reformador: A que fatores atribui a ampla disseminação do Espiritismo em nosso país?

Divaldo:
Inicialmente, à destinação histórica reservada ao Brasil, na condição de Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, na feliz imagem ditada pelo Espírito Humberto de Campos, através do venerando apóstolo da mediunidade Francisco Cândido Xavier. Depois, às personagens ilustres e nobres que o abraçaram no século XIX e no seguinte, dentre os quais, Dr. Bezerra de Menezes, Ewerton Quadros, Bittencourt Sampaio, para citar apenas alguns dentre os incontáveis servidores de Jesus, nesse período, seguidos por médiuns notáveis como Frederico Júnior, Eurípedes Barsanulfo, Francisco Cândido Xavier, Zilda Gama, Yvonne do Amaral Pereira, os inesquecíveis conferencistas Manuel Vianna de Carvalho, Ivon Costa, Lameira de Andrade, Batuíra, Cairbar Schutel, dentre outros eminentes divulgadores e escritores tais como Deolindo Amorim, José Herculano Pires, Carlos Imbassahy, Ismael Gomes Braga, Leopoldo Machado, investigadores da talha de Hernani Guimarães Andrade...as obras de amor, de caridade e de iluminação de consciências, que têm sido erguidas em todo o País, confirmando o seu caráter cristão e dignificador.

Reformador: E no Exterior, como avalia a difusão do Espiritismo?

Divaldo: Felizmente, fora do Brasil, o Movimento Espírita vem-se estruturando com segurança, firmado nos alicerces da Codificação, conforme herdamos do ínclito mestre Allan Kardec. Em toda parte, os espíritas estão se movimentando com eficiência, trabalhando em prol de corretas traduções das obras de Kardec, que, no passado, não receberam os cuidados necessários, havendo sido adulteradas ou mal interpretadas. Concomitantemente, com esforço e dedicação, empenham-se para levar a Doutrina aos grandes veículos da mídia, desmistificando-a das acusações de que tem sido vítima pela intolerância e má-fé dos seus opositores, que a atacam sem a conhecer sequer. Espíritas devotados têm viajado pelos mais diferentes rincões levando a mensagem clara e pura da Doutrina, sensibilizando todos quantos os vão ouvir e com eles conviver. Igualmente, o trabalho nobre de tradução de outras obras para enriquecimento dos interessados tem contribuído eficazmente para a sua difusão.

Reformador: O que tem a dizer sobre o CEI, que está completando 15 anos de fundação?

Divaldo: Em ocasião muito feliz foi criado o Conselho Espírita Internacional, que vem reunindo instituições espíritas em uma saudável unificação de propósitos com o objetivo de se evitar movimentos nacionalistas com características estranhas à Codificação, alterações e enxertos personalistas que lhe modificariam a estrutura. Graças a essa providencial realização, os Congressos Mundiais, que resultam dos Encontros freqüentes, nos diferentes países, oferecem uma paisagem harmônica dos conteúdos doutrinários, firmando-se compromissos de fidelidade e respeito à Codificação, que é a linha mestra e o piloti de segurança da Doutrina.

Reformador: Poderá transmitir uma mensagem aos leitores de Reformador?

Divaldo: O conhecimento do Espiritismo, conforme o herdamos de Allan Kardec e dos eminentes cooperadores do mestre, como Léon Denis, Gabriel Delanne, Alexander Aksakof, Cesare Lombroso, Ernesto Bozzano, somente para citar alguns, liberta o ser humano dos atavismos infelizes que o retém na retaguarda, oferecendo-lhe o abençoado campo terrestre de lutas em favor do aperfeiçoamento moral. Estudar, portanto, o Espiritismo, para vivê-lo integralmente, consciente da finalidade existencial, é o compromisso que firmamos no Grande Lar antes do retorno ao corpo físico.

Fonte: Revista Reformador, publicação da Federação Espírita Brasileira. Outubro. 2007.

Abraços

J.L.Veiga

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Uma imagem (um gesto), as vezes vale mais que mil palavras...


NÃO BASTA APAGAR O FOGO...

Foto da frente de combate ao incêndio que devastou a Austrália.

"Quem não entende um olhar, muito menos entenderá uma longa explicação.."

Esta é uma das imagens mais lindas que já vi.


Fica o ensinamento...

Abraços

J.L.Veiga

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho




Sérgio Biagi Gregório
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Brasil, a Nova Pátria do Evangelho. 3. Origens Espirituais do Povo Brasileiro. 4. Holandeses, Franceses e Espanhóis. 5. A Procura do Ouro. 6. Prenúncio da Liberdade. 7. A Independência do Brasil. 8. Maioridade Política Brasileira (I). 9. Maioridade Política Brasileira (II). 10. Conclusão. 11. Bibliografia Consultada.
 
1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho é captar a influência do plano espiritual nos processos decisórios de política econômica, principalmente aquela que nos foge da mente quando estudamos a História Econômica do Brasil só pelo aspecto material. Então, procuramos dar como conhecida a história material e tentamos visualizar, resumidamente, a interrelação dos dois planos da vida, valendo-nos das citações de ordem material somente para uma melhor compreensão da linha mestra que se formou desde o descobrimento do Brasil até os nossos dias.

2. BRASIL, A NOVA PÁTRIA DO EVANGELHO

Por volta do último quartel do século catorze, Jesus dispôs-se a visitar o planeta Terra, a fim de verificar o processo realizado pela sua doutrina de amor. Após observar que o mundo político, econômico e social do ocidente estava conturbado pelo egoísmo, orgulho e vaidade dos habitantes das grandes potências européias, Jesus, juntamente com Helil, traçam um novo roteiro para o desenvolvimento espiritual dos terráqueos. Para isso, Helil deveria reencarnar em Portugal e direcionar o povo português às conquistas marítimas, com o objetivo de descobrir as terras-virgens da América.

Encarnado no período 1394-1460, como o heróico infante de Sagres, operou a renovação das energias portuguesas, expandindo as suas possibilidades realizadoras para além mar, criando as condições necessárias para o futuro descobrimento da "Pátria do Evangelho", que aconteceu em 1500, por Pedro Álvares Cabral.

Helil, depois do seu desencarne, continuou a luta pela causa do Evangelho. Sua influência espiritual junto a D. Duarte e D. Afonso V não fora marcada pelo êxito, porém, com relação a D. João II, consegue que diversas expedições sejam organizadas e enviadas ao mar.

A grande expedição de Cabral deixou Portugal no dia sete de março de 1500. Em alto mar, as noites do grande expedicionário são povoadas de sonhos sobrenaturais e, insensivelmente, as caravelas inquietas cedem ao impulso de uma orientação imperceptível, desviando os caminhos das Índias para o coração geográfico do Brasil.

Compreendemos, também, que enquanto outros países se fragmentavam o fato do Brasil permanecer com o coração geográfico completo é porque havia realmente a preocupação de Jesus em arrebanhar toda a população, que deveria estar envolta com o lema: "Deus, Cristo e Caridade". (Xavier, 1977, cap. I e II)

3. ORIGENS ESPIRITUAIS DO POVO BRASILEIRO

Para uma compreensão mais ampla da formação espiritual do povo brasileiro, devemos lembrar que os séculos quinze e dezesseis foram marcados pela influência do "capitalismo comercial", que impulsionou as grandes potências européias ao mar, a fim de colonizar a nova terra. O Brasil, recebe assim, imigrantes das várias regiões do mundo. 

Dentro desse quadro, Jesus entregava o comando do Brasil a Ismael, cuja missão era reunir os sedentos de justiça divina (degregados), os simples de coração (índios), os humildes e aflitos (escravos) sob a influência dos missionários para que o alicerce espiritual fosse edificado sobre a rocha firma, de modo que com o passar dos anos não houvesse fragmentação. (Xavier, 1977, cap. III)

4. HOLANDESES, FRANCESES E ESPANHÓIS

Para que pudéssemos ter essa formação mesclada deveríamos aceitar as várias influências das grandes companhias de comércio, cujas sedes se localizavam na Europa, principalmente em França, Holanda e Inglaterra.

Primeiramente vieram os franceses, que encantados com a beleza da Bahia de Guanabara, estabeleceram aí a sua feitoria, onde Villegaignon, com sua mentalidade religiosa e honesta, capta a confiança dos indígenas por três anos, pois em 1558 são expulsos por Mem de Sá.

De 1580 a 1640 recebemos a influência indireta da Espanha, porque como sabemos Portugal ficou sob a direção deste país, desestimulando a colonização das terras brasileiras.

Em 1624, a pretexto da guerra com a Espanha, os holandeses invadem o Brasil, originando cenas dolorosas, porém não organizadas pelas falanges do mundo invisível. 

Em 1637, entregava em Pernambuco o General holandês João Maurício, príncipe de Nassau, cuja estada no Brasil fora preparada no plano espiritual com a intenção de desenvolver os germes do amor, respeito, tolerância e liberdade. Assim, os escravos tornam-se livres à sombra de sua bandeira, os índios encontram, no seu coração, o apoio de um nobre e leal amigo e todos obtém um novo clarão de justiça no caminho a seguir.

Em 1661, os holandeses deixam o Brasil sem lutas cruéis, mas ficou a semente da gratidão e do amor por um dos abnegados servidores do Cristo. (Xavier, 1977, cap. VIII)

5. A PROCURA DO OURO

Sabemos da história econômica que a razão básica da manutenção do domínio político português nas terras brasileiras era a possibilidade de descobrir imensos tesouros de metais preciosos. No plano espiritual, essa missão de expandir o espaço conquistado foi entregue a Fernão Dias Paes, que antes de reencarnar fora consolado por Ismael acerca da causa sinistra do ouro, recebendo instruções de que a procura desse metal seria um fator de desenvolvimento econômico, porque edificar-se-iam cidades e fomentar-se-iam a pecuária e a agricultura.

A missão seria árdua e exigiria o máximo de disciplina e para exemplificá-la viu-se na contingência de enforcar o próprio filho, quando esteve encarnado. 

Paralelamente às bandeiras, outros movimentos realizavam-se na busca desse metal, criando um clima de ilusões, ambição e comentários acerca da riqueza, que levava os indivíduos à guerra, às revoluções e às emboscadas tendo como resultado a aflição, o sofrimento e a morte, inclusive com a possibilidade de despovoamento de Portugal. Citamos, como exemplo, a guerra das Emboabas, a Guerra dos Mascates. 

Ao mesmo tempo que no plano material estávamos envoltos com um pequeno derramamento de sangue, no plano espiritual, os agentes invisíveis estavam amparando-nos e podemos perceber claramente pelo Tratado de Methuen que, o Brasil, ao transferir a posse do ouro à Inglaterra, vetava as investidas das grandes potências européias que cobiçavam nossas riquezas. (Xavier, 1977, cap. X)

6. PRENÚNCIO DA LIBERDADE

Os preparativos da Revolução Francesa, isto é, as discussões a respeito da liberdade influenciaram sobremaneira a classe dos poucos intelectuais brasileiros, que observando a ganância pelo ouro por parte dos padres — para aumentar o luxo das igrejas, dos magistrados — para aumentar suas fortunas que levariam a Portugal e do fisco — para incrementar a receita de Portugal, resolvem por em prática esses ideais políticos e econômicos.

Dos vários encontros realizados para tal finalidade, escolheu-se a personalidade de Tiradentes para ser o líder do movimento. Os desejos de liberdade foram vetados por autoridades portuguesas tão logo ficaram sabendo do ocorrido, mandando imediatamente extinguir a figura que se sobressaia nas ditas articulações. A morte de Tiradentes do ponto de vista espiritual representava o resgate de delitos cruéis do passado, quando inquisidor da Igreja.

Os estudos e discussões acerca de nossa doutrina mostra-nos que o acaso não existe e que os fatos se sucedem no devido tempo. Assim, verificamos que os intelectuais brasileiros quanto os da França foram precipitados com as reivindicações de liberdade, contrariando a vontade de Deus, o qual prefere que cada qual vença a si mesmo e seja avessos à guerra e à Revolução. Percebemos, mais uma vez, a mão protetora de Ismael, pois enquanto em França assistíamos à perda de muitas vidas, no Brasil tivemos apenas um enforcamento. (Xavier, 1977, cap. XIV)

7. A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

A conseqüência da Revolução Francesa, para nós, foi a vinda da família real ao Brasil, que seria o estopim inicial de nossa emancipação política, porque D. João VI estando no Brasil começou a tomar resoluções políticas que iriam criar condições de desenvolvimento econômico.

Primeiramente, abrem-se os portos para a livre concorrência com a Inglaterra e, posteriormente, para as nações amigas. Em segundo lugar, declaram-se livres as indústrias nacionais. Mesmo com grande parte da corte colada ao orçamento da despesa, o Brasil caminhava para o alto destino que o eterno lhe assinalara.

D. João VI estava envolto com a mãe demente, esposa desleal, filho perdulário, excesso de despesas administrativas, revolução constitucionalista de Portugal e problemas pessoais de alta responsabilidade, quando teve de voltar a sua Pátria natal, deixando D. Pedro I, como príncipe-regente, o qual deveria cumprir a constituição da junta Revolucionária de Lisboa.

O plano espiritual presidindo a todos os acontecimentos instrui-nos que o problema da liberdade é delicado, sendo preciso formar os Espíritos antes das obras, pois todos os direitos adquiridos exigem responsabilidade e nem sempre estamos aptos a enfrentá-los. Expõe-nos, também, que D. Pedro não era a pessoa indicada para o processo de libertação do povo brasileiro, mas ele encarnava o princípio da autoridade e caberiam ao próprio plano espiritual — povoar suas noites de sonho, a fim de colocá-lo em condições de assumir atitudes corretas e justas segundo a vontade de Deus.

D. Pedro atendendo à frase de seu pai, quando deixou o Brasil. "Pedro, se o BRASIL se separar de Portugal, antes seja para ti, que me respeitarás, do que para alguns desses aventureiros". — resolve iniciar a separação dos dois países, sem prever que Avilez, representante de Portugal tencionava criar barreiras a esse intento. Durante esse período negro vemos a presença de Ismael manipulando as preces e as vibrações das mães sofredoras e concentrando-as na mente e coração de Avilez, deixando o caminho livre a D. Pedro para a consolidação da liberdade. 

A presença de Ismael, dos abnegados cooperadores do plano espiritual e principalmente, da figura de Tiradentes, em espírito, acompanhavam através de viagens e contatos com diversos líderes políticos em várias regiões do país, culminando com a famosa frase: "INDEPENDÊNCIA OU MORTE", a sete de setembro de mil oitocentos e vinte e dois. (Xavier, 1977, cap. XVI a XVIII)

8. MAIORIDADE POLÍTICA BRASILEIRA (I) 

O aumento das responsabilidades brasileiras deveria ser provido por alma nobre e valorosa. O plano espiritual estava atento e começou a dialogar com Longinus, a fim de cientificá-lo da grande missão que os mensageiros de Ismael estavam lhe propondo e se saísse vencedor não precisaria retornar neste planeta de expiação e provas. Reencarnaria, assim como D. Pedro II e se incumbiria de polarizar as atenções do povo a sua pessoa no que dizia respeito aos exemplos e virtudes, renúncia e sacrifícios abnegação e desprendimento. 

Enquanto no outro plano da vida estes assuntos eram ventilados, aqui, D. Pedro I, depois de consolidada a Independência, tratava de dar continuidade ao processo de liberdade da Pátria do Evangelho, sempre assessorado pelas falanges de Ismael, que aproveitavam o minuto psicológico para auxiliá-lo nesta consolidação. Apesar de lutar pelos interesses do Brasil foi acusado injustamente de proteger os de Portugal, e por esta razão, inspirado pelos agentes do invisível, abdica na pessoa do filho, a sete de abril de mil oitocentos e trinta e um.

Após a abdicação de D. Pedro I o país sob o comando dos regentes interinos atravessou momentos de crise, notando-se o desenrolar da guerra civil ao Norte e o movimento republicano no Rio Grande do Sul. As falanges de Ismael eram obrigadas a aumentar os reforços intuindo os homens da regência a praticarem os mais sublimes atos de renúncia pelo bem coletivo a fim de que a luz do porvir na pátria não se transformasse em trevas e não paralisasse os interesses do Senhor para com a nossa terra natal.

D. Pedro II reencarna dentro dessa conjuntura e aos quinze anos de idade adquire o poder de governar o país. Para bem cumprir sua missão, abstraia-se dos textos legais e norteava suas decisões mais pela imprensa do que pelos seus ministros, desgostando os políticos da época. Conseguiu com seu caráter evolucionista um grande progresso de liberdade de opinião e a calma voltara ao Brasil. Por não seguir as inspirações do mundo invisível, interfere na liberdade do Uruguai, ocasionando com isto a guerra do Paraguai, pois este país se sentindo ameaçado na sua segurança declarou-se contra o Brasil, iniciando uma contenda que durou cinco anos de martírio e sofrimentos. (Xavier, 1977, cap. XX)

9. A MAIORIDADE POLÍTICA BRASILEIRA (II)

À medida que o tempo passava, as repercussões internacionais e a experiência dos políticos brasileiros clamava por uma mudança estrutural do nosso modelo de economia política, muito embora D. Pedro II fosse um exemplo de discórdia e benevolência. Os políticos da época pressionaram-no e nos primeiros meses de 1888, sob a influência dos mentores invisíveis da pátria, o imperador é afastado do trono, voltando a Regência à Princesa Isabel, promulgando a treze de maio de mil oitocentos e oitenta e oito a lei que extinguia o cativeiro no Brasil.

Ao se extinguir a servidão, o Brasil passava ao regime de maioridade política, isto é, os habitantes deste território receberiam doravante influências indiretas do plano espiritual, mas seriam responsáveis diretos pelos seus erros e acertos. Denominamos República à oficialização desse índice de maioridade, firmado a quinze de novembro de 1889 por Deodoro da Fonseca e uma plêiade de inteligências cultas e vigorosas.

É útil recordarmos o grau de evolução de Longinus, que deixou a coroa sem derramamento de sangue, repeliu todas as sugestões dos Espíritos apaixonados pelo poder, não aceitou dinheiro pelo seu exílio, porém levou consigo um punhado de terra brasileira que muito soubera amar.

O plano espiritual, afim de corroborar este grau de liberdade adquirido, delegava autoridade aos grandes médiuns, que seriam os portadores da luz do Cristo, com a função de concentrar as energias do povo, dirigindo-as para o alvo sagrado da evolução material e espiritual. Dentre eles citamos a personalidade de Bezerra de Menezes, aclamado na noite de julho de1895 diretor de todos os trabalhos de Ismael no Brasil. (Xavier, 1977, cap. XXI a XXX).

10. CONCLUSÃO

Este estudo da História Econômica do Brasil, à luz da espiritualidade, deu-nos a oportunidade de aumentarmos os nossos conhecimentos a respeito do povo, do governo e dos agentes do mundo invisível acompanhamos o desenrolar dos fatos históricos e percebemos que a maioridade política se desenvolve da mesma forma que o livre-arbítrio no campo individual; que as decisões que julgávamos individuais abrangem uma amplitude mais ampla, porque aquele que decide recebe influências dos ministros, da imprensa, da esposa, e muito mais do plano espiritual, que até a proclamação da república a ascendência espiritual era direta, passando depois a fazer por sugestões telepáticas; que ainda hoje estamos com a boa influência, embora o livro de Humberto de Campos só explica até o período republicano. 

Vimos, por fim, que o poder é transitório, que as paixões inflamam os indivíduos, que pouco é o que sabemos e, por essa razão, devemos ter muita humildade, a fim de podermos trilhar o caminho da felicidade, o qual nos conduzirá ao Cristo e à caridade.

11. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

FURTADO, C. Formação Econômica do Brasil. 9 ed., São Paulo, Editora Nacional, 1969.

FURTADO, M. B. Síntese da Economia Brasileira. 2 ed., Rio de Janeiro, LTC, 1983.

XAVIER, F. C. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (pelo Espírito Humberto de Campos). 11. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

São Paulo, agosto de 1984 

Artigo encontrado no site: www.ceismael.com.br

Abraços

J.L.Veiga
 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012