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DIVULGAÇÃO: "CVV - CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA"

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O programa CVV é desenvolvido exclusivamente por voluntários, capacitados para ouvir e conversar com pessoas que queiram falar de suas angústias, tristezas, solidão, alegrias e também de seus sonhos frustrados ou realizados. É um trabalho gratuito, sem fins lucrativos, desvinculado de qualquer religião ou política. É assegurado o anonimato, o sigilo e a privacidade da conversa, os voluntários ouvem num clima de profundo respeito e confiança, sem julgar ou direcionar. Sentindo necessidade... Converse e desabafe: Ligue 141 (Ligação gratuita) Por telefone ou clique na imagem acima e vá até o site e informe-se.

terça-feira, 29 de maio de 2012

sábado, 26 de maio de 2012

É tão bom ser espírita


É tão bom ser espírita

E ter esse compromisso com a fraternidade que nos une

Que nos ensina a dizer sim

A dizer não

A ser fiéis

Sem que tenhamos que perder a fraternidade.

É tão bom ser espírita

E ter essa lucidez diante da imortalidade

E cantar

E estudar

E servir

E ser feliz

Mantendo a nossa alegria

A nossa alacridade.

É tão bom ser espírita

Olharmos uns aos outros

Com harmonia

Sem desejos malsãos

Sem lascívia

Iluminando com as luzes da amizade

Da ternura e da afabilidade

Cada um dos nossos dias.

É tão bom ser espírita

Para entender que a dor não é coisa nossa apenas

Que a dor invade o mundo

Aturde as almas

E que mesmo quando vivemos horas difíceis

Esperamos por certo outras horas amenas.

É tão bom ser espírita

E manter acesa a lucidez

E trabalhar o bem

O bom servir

Colocando tudo em seus lugares por nossa vez.

Ser espírita é ter esse compromisso com a harmonia interior

É cantar as blandícias que nos chegam do Senhor

É ser feliz

É colocar os passos sob a doce diretriz

É tomar do sangue amargo

Usar o pão sem fermento

Mas mantendo lucidez, dentro do próprio pensamento.

Ser espírita é colocar Jesus na nossa vida

E, enquanto passeamos pela Terra,

Desenvolvamos a própria vida,

Erguer os olhos às constelações

Fazer brilhar os próprios corações.

E nesta hora do mundo

Quando divisamos dos Evangelhos os apogeus

Ser espírita é ter certeza

De que, irmãos de Jesus,

Somos filhos de Deus.

Encerramento da Conferência de Raul Teixeira no Encontro Estadual Espírita do Interior do Paraná, em Londrina, em 2005.22.01.

Abraços

J.L.Veiga

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Vida e Valores (A Internet)



Quem poderia imaginar que o invento de Norberto Wainer desse para o mundo os resultados que vem dando.

Norberto Wainer pensou, demoradamente, numa forma de criar uma máquina que pudesse realizar tudo o que o cérebro humano é capaz de realizar. Com uma vantagem: sem a inércia característica da criatura humana.

Quando precisamos apertar um botão, por exemplo, temos a vontade, a mente aciona o nosso sistema nervoso, que atua sobre a musculatura. Então, apertamos o botão. É um lapso de segundo, mas o suficiente para errarmos o alvo.

Dessa maneira, Wainer pensou numa máquina que fizesse isso: apertasse o botão, sem essa movimentação neurológica, até realizar o fato. Surge, então, o cérebro eletrônico.

Válvulas, cabos, peças diversas compuseram o primeiro cérebro eletrônico, que ocupava quase um edifício de dois andares, para que toda aquela parafernália mecânica pudesse funcionar.

Na medida em que o tempo se passou, graças aos implementos que foram sendo adicionados àquele conhecimento básico, o nosso cérebro eletrônico se transformou no computador.

E, hoje, qualquer criança tem o seu computador, através do qual atua no que quiser, desde jogos, games até compras, negócios, investimentos, que são feitos através do computador.

Tudo graças a esse conjunto de coisas que antecederam esse progresso: o conhecimento da eletricidade, a invenção do telefone ou o tubo de raios catódicos, conhecido como CRT. Também a construção das redes, o surgimento do conceito de redes e a invenção dos chips.

Quando se juntou tudo isso, passamos a conhecer a Internet.

Graças à Internet que, por sua vez, só existe por causa do computador, vivemos num mundo em que já não se imagina sem ela, Internet.

Tudo que fazemos hoje é através da Internet. Nossas inscrições em concursos, os diários universitários, tudo pela Internet.

Para fazermos compras, para pagarmos contas, para recebermos cartas, mandarmos cartas, mensagens variadas, tabelas, gráficos, desenhos, programas, livros: Internet.

Num breve lapso de tempo, nos comunicamos com o outro lado do mundo, imageticamente. Passamos a usar determinadas câmeras, as famosas Webcam, para projetar para quem se comunica conosco onde quer que esteja, a nossa imagem, a imagem do que quisermos e os outros nô-las remeterem.

Fazemos reuniões empresariais, estudantis, políticas, através da Internet. A partir disso, o mundo é outro mundo.

Percebemos como, gradativamente, a Divindade, que ama a Terra e os terrestres, vai permitindo que se abram portas de progressos inimagináveis antes.

Como é que nós vivemos tanto tempo sem a Internet?

Não sentíamos falta dela. O gênio de um homem é que começou a maquinar que, sem a ajuda de um aparelho que suprimisse a nossa inércia, seria muito difícil continuar a fazer coisas grandes no mundo.

A Internet vem sendo um instrumento que, à semelhança do poder, do ouro, do dinheiro, é usado a nosso bel prazer.

Por causa disso, vale a pena considerar como usamos a Internet.

* * *

Esse instrumento notável que é a Internet, bênção de Deus para o nosso progresso humano, também vem sendo usado por muita gente de má índole.

A Internet permite o anonimato. Não somos obrigados a aparecer, de rosto nu, nas telas que nos registram as mensagens.

Acompanhamos a ação de indivíduos inteligentes, que poderiam trabalhar para o bem, mas preferem prestar serviço ao mal, ao equívoco, ao desequilíbrio, à treva humana.

Temos os hackers, por exemplo, que são verdadeiros gênios da eletroeletrônica, da informática e que poderiam usar esses conhecimentos para fins nobilitantes. Contudo, usam-no para delinquir, para penetrar indevidamente em programas alheios.

Ao lado disso, encontramos os que se valem da Internet para o cometimento de crimes variados, para a calúnia. O indivíduo joga na rede misérias, horrores do pensamento, incriminando pessoas, atirando na lama nomes, covardemente, porque pode se valer de um pseudônimo. Não precisa assinar a mensagem, pode fazer de conta que é quem não é, em verdade.

Quantos problemas com crianças, adolescentes têm sido criados na Internet, exatamente porque o adulto se faz passar por outra criança ou adolescente, usa seu jargão, fala sua linguagem e aí estão os crimes de pedofilia... pela Internet.

Crianças são seduzidas a darem endereços, nome dos pais, dados pessoais e, na sua ingenuidade, desorientadas pelos próprios pais, vão passando, imaginando que estejam conversando com outra criança.

Os problemas de bullying, quando crianças escolares, alunos são bombardeados por colegas ou por professores, diminuindo a sua autoestima, determinando problemas psicológicos ou mesmo psiquiátricos de grave repercussão.

Mas, encontramos aqueles que fazem bom uso porque, graças à Internet, podemos entrar nos conhecimentos da Ciência, dos filósofos, no mundo das artes, da cultura em geral.

Podemos viajar, através de programas que nos levam a conhecer as ruas e avenidas do mundo. Podemos encontrar telas de museus, os mais famosos, penetrar nos salões notáveis desses museus e contemplar a beleza que ali é exposta para quem viaja, para vê-los.

A Internet, nas mãos do bem, tem patrocinado cursos acadêmicos, cursos escolares à distância, com rigor, com controles.

É claro que há também pilhérias, brincadeiras de mau gosto, chamadas de cursos. No entanto, há coisas sérias, coisas graves, coisas belas, realizadas via Internet.

Dessa maneira, nos damos conta de que todas as bênçãos que Deus permite chegar ao mundo, a criatura humana, na sua impetuosidade, no seu estilo excitado de ser, deseja lançar mão, deseja se assenhorear. E, porque o nosso lado ético-moral não anda assim tão bem desenvolvido, muitos querem tirar proveito, ainda que por meios escusos, dessas bênçãos que Deus nos envia. A Internet não escapou disto.

Cabe a você, cabe a todos nós, a observância da ética, da moralidade, no uso desse veículo importante para a nossa vida social.

Sabermos que aquilo que estamos plantando na Internet e que se espalha pelo mundo inteiro, de bom ou de ruim, um dia, mais cedo ou mais tarde, teremos que voltar para recolher.

Se forem coisas boas, recolheremos esses frutos doces da felicidade. Se negativas, teremos que amargar a reconstrução do bem na Terra.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 206, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em agosto de 2009.
Em 24.01.2011.

Abraços
J.L.Veiga

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ghost (Clipe do filme com a música tema)





Primeiro filme a tratar sobre o tema vida após a morte, vale a pena relembrar, confira:







Abraços



J.L.Veiga



sábado, 19 de maio de 2012

O essencial...



Existe uma técnica pedagógica em que se propõe para a pessoa a seguinte situação: ela deve ir para uma ilha deserta e somente pode levar três coisas. O que deseja levar?

Ante o questionamento, não são poucos os que ficam confusos porque, afinal, são tantas as coisas que se desejaria levar, e que acreditamos nos sejam indispensáveis.

Em tempos remotos, quando a Águia Romana dominava o mundo com a extensa sombra das suas enormes asas, existiu uma patrícia muito rica.

Tendo que realizar uma grande viagem, ela tomou uma luxuosa galera e seguiu com seu filho de apenas cinco anos.

Sua bagagem despertou curiosidade no embarque. Dois escravos carregaram muitos volumes de joias diferentes.

Eram colares e braceletes, redes de ouro, pedrarias, camafeus riquíssimos.

Todo o pessoal de serviço se inclinou perante a dama nobre, em sinal de respeito pelo tesouro que ela trazia para bordo.

Durante os primeiros dias de viagem ela foi o centro das atenções. Era convidada para a mesa das festividades e todos se interessavam em estar com ela, para poder observar os adornos brilhantes que usava.

Em certa manhã de sol, a embarcação se chocou em traiçoeiro recife. Uma grande brecha se fez na galera e as águas a invadiram.

Todos a bordo começaram a lutar, tentando resolver o problema. Finalmente, verificaram que havia necessidade de abandonar o navio.

Alguns botes foram colocados à disposição dos viajantes para o salvamento. A rica dama se apresentou, tão logo foi chamada.

Nos braços trazia o filho, envolto em manta bordada a ouro e um pequeno pacote que segurava com vigor.

Todos imaginaram que a bela senhora levava consigo as joias mais caras.

Entretanto, porque a viagem arriscada até o porto mais próximo se demorava horas intermináveis, ela abriu o embrulho, mostrando aos irmãos de infortúnio o seu conteúdo.

Eram dois pães e dez figos maduros, com os quais se alimentaram durante as horas que os separavam da terra firme.

Estreitando o filho de encontro ao coração, ela falou: Meu filho é o que tenho de mais precioso. E o que considero de mais útil, nesta circunstância, é o alimento que nos manterá vivos.

* * *

A felicidade real não se fundamenta em riquezas transitórias. Sempre chega um dia em que o homem é convidado a se separar delas.

Os que vivem o hoje se apegam a terras, construções, moedas e prazeres.

O Espírito prudente, porém, não desconhece que todos os patrimônios da Terra devem ser usados para o enriquecimento da virtude.

Também sabe que as bênçãos mais simples da natureza são as bases da nossa tranquilidade essencial.

Convém recordar a recomendação de Jesus: Procurai antes o Reino de Deus e a Sua justiça e todas as demais coisas vos serão acrescentadas.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 44, do livro Jesus no lar, pelo Espírito Néio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 24.01.2011.

Abraços

J.L.Veiga

terça-feira, 15 de maio de 2012

CRESCIMENTO!



Era manhã de mais um dia de trabalho. Um dia que parecia ser igual a todos os outros dias. Isso para quem adora criar monotonias em sua própria vida.

Os funcionários chegaram na empresa do mesmo jeito que chegavam todos os dias mas, na entrada, algo os surpreendeu.

Encontraram um cartaz na portaria dizendo: Faleceu ontem a pessoa que impedia o crescimento da empresa. Você está convidado para o velório, na quadra de esportes.

No início, todos se entristeceram com a morte de alguém. Depois de algum tempo, ficaram bastante curiosos em saber quem havia morrido.

Quem estava bloqueando o crescimento da empresa?

A agitação na quadra de esportes era tão grande que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório.

Então, conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava: 

Quem será que estava atrapalhando o meu progresso?  

- Diziam uns.  

Com certeza alguém envolvido em algum desvio de dinheiro! 

 - Diziam outros.

Ainda bem que este infeliz se foi!  

- Esbravejavam.

Assim, um a um, os funcionários agitados aproximavam-se do caixão, olhavam o defunto e engoliam em seco.

Ficavam em silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma. Pois bem, no visor do caixão havia um espelho... 

 E cada um via a si mesmo...

*   *   *

A lição da diretoria da empresa foi clara: 

Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: 

você mesmo!

Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida.

Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida e você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo.

Sua vida não muda quando seu chefe muda, quando sua empresa muda, quando seus pais, filhos, mudam: ela se modifica quando você mesmo muda.

Você é o único responsável por ela, e o único que prestará contas dela.

*   *   *

O ser humano ainda espera demais por soluções e acontecimentos exteriores.

Confundimos fé, esperança, com inatividade e preguiça.

Confundimos pacifismo com passividade.

Confundimos justiça com vingança.
 
É tempo de acordar e perceber que estamos no comando de nossa própria embarcação e decidimos, através do livre-arbítrio, os rumos de nossa viagem pelos mares do crescimento, da evolução.

Decidimos se chegaremos logo ao destino ou se permaneceremos muito tempo à deriva.

Decidimos se manteremos o olhar no horizonte e os ouvidos encantados, pelo som do mar, ou se nos deixaremos seduzir pelo canto perigoso das sereias dessas distrações do caminho que buscam nos fazer afundar, vestindo-se com trajes belos apenas.

Somos nós que decidimos o momento de perdoar.

Somos nós que decidimos o momento de começar a amar.

O amor não nos escolhe... 

Nós escolhemos o amor.

Redação do Momento Espírita com base em texto de autor desconhecido.
 
Disponível no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep.
Em 31.10.2011

Abraços

J.L.Veiga
 

domingo, 13 de maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Vida e Valores (O relógio)



Apenas tinha começo o Iluminismo na Europa. O mundo se agitava diante dessa nova concepção de vida, de mundo, de arte, de literatura e tudo mais o que existe.

O Iluminismo derramava por sobre toda a sociedade as suas variadas inclinações para um estilo especial de ver o mundo.

Foi exatamente nesses primórdios do período iluminista que Huygens, Christiaan Huygens conseguiu inventar o relógio de pêndulo. O mundo agora conhecia, a partir de Huygens, uma forma de marcar o tempo, bastante diferente das formas utilizadas até então.

As criaturas conheciam o relógio de sol. Mas o relógio de sol estava na dependência dos períodos do ano. Naqueles períodos em que o dia era mais amplo, tínhamos um determinado número de horas marcado pelo relógio de sol.

Nas quadras invernais, quando os dias são menores, já estava prejudicada a leitura por meio do relógio solar.

Huygens teve essa ideia de inventar um artefato pendular, depois da descoberta de Galileu Galilei.

O notável gênio Galileu, observando um pêndulo que pendia de uma coluna e que se movia, no seu movimento, deu-se conta, depois de observar delongadamente, que o período desenvolvido pelo pêndulo, o tempo que o pêndulo levava do centro de equilíbrio a uma das extremidades do seu movimento à outra, era sempre o mesmo.

Esse equilíbrio pendular fez com que Galileu fosse o grande descobridor dessa peculiaridade dos pêndulos. E essa peculiaridade dos pêndulos permitiu a Christiaan Huygens a construção do primeiro relógio pendular.

Afinal de contas, nós todos já podemos imaginar o que significa para a Ciência, por exemplo, ler o tempo, sem nenhuma variação incomodatícia.

O tempo, que é uma das grandes vertigens dos cientistas, tempo e espaço, agora, ao menos, poderia ser lido sem tantos problemas, a partir do relógio pendular de Huygens.

Todos imaginamos o que é o tempo, mas essa grandeza que imaginamos, é muito difícil de ser estabelecida, quantificada.

O que é mesmo o tempo?

Para a Ciência, para a Física, o tempo pode ser esse intervalo que existe entre uma ocorrência e a ocorrência imediatamente seguinte. Aí é que está o grande problema: qual é a ocorrência imediatamente seguinte? Então temos que usar um sistema discreto, coisas observáveis, para estabelecermos o tempo.

Quando olhamos o tempo que o relógio marca, percebemos que ele é diferente de um outro tipo de tempo. O tempo que a mente marca.

Basta lembrarmo-nos de que, quando saímos de férias, por exemplo, as nossas férias já foram devidamente vividas, gozadas na nossa intimidade. Já sabemos como serão as nossas férias ainda não desfrutadas.

Dizemos por exemplo: Terei férias no fim do ano. Vou passar tantos dias com vovó, viajarei para tal lugar, comprarei tal coisa e, quando chegar em casa, começarei as obras.

Ora, na nossa cabeça, já usufruímos as férias, já fomos, já voltamos. Mas agora temos que esperar todo o trajeto do relógio físico, que estabelece o calendário.

Então, nos damos conta de que existe um tempo físico, que o relógio marca, e um tempo psicológico, que marcamos em nossa intimidade.

* * *

As nossas existências são regidas basicamente por um tempo físico. Nascemos e, a partir daí, conta-se o nosso tempo. Comemoramos as datas a partir dessa contagem.

Comemoramos o primeiro aniversário de nossa criança, o segundo, o terceiro, o décimo ano dessa criança. Vamos assim marcando de ano em ano, o tempo em que se vive no corpo físico.

Ao mesmo tempo, o corpo físico vai assinalando a passagem do tempo por ele, pelas suas transformações. A criança que não falava, passa a falar, que não andava, começa a caminhar. Muitas coisas que ela não conseguia fazer, agora já tem autonomia para fazê-lo, na medida em que passe o tempo.

O raciocínio que, na fase infantil, é eminentemente lúdico, fantasista, objetivo, concreto, o tempo passa e a nossa criança, se aproximando da adolescência, já consegue refletir, raciocinar de maneira subjetiva. Já consegue subjetivar as coisas.

Tem habilidade de sair do mundo das coisas concretas, o mundo representado somente pelas coisas que vemos, que tocamos, que cheiramos, que comemos, para imaginar, de forma ordenada, de forma raciocinada.

Quando começamos a pensar em que o corpo e a mente vão nos dando conta da passagem do tempo, temos que nos aperceber de que, ao considerarmos a existência dessas duas dinâmicas temporais, um tempo físico marcado pelo relógio e um tempo interior marcado pela mente, vale a pena considerarmos como estamos utilizando o tempo de nossa vida.

Como é que estamos utilizando esse tempo pelo qual passa o nosso corpo?

O que fazemos em cada ano de vida?

Estudamos? Praticamos esportes?

Desenvolvemos habilidades físicas, intelectuais, artísticas, culturais?

Formamos família? Criamos filhos? Construímos, viajamos? Como é que estamos utilizando esse tempo físico da nossa existência?

De acordo com o modo como estejamos usando esse tempo, seremos exitosos ou não, em nossa caminhada humana.

E esse tempo interno, que marcha com maior rapidez do que o tempo do relógio, o que estamos fazendo com ele?

Quanto tempo ocupamos de nossa mente pensando em coisas boas, pensando em coisas más, maquinando a traição, o crime, a desordem, a balbúrdia, a desestabilização dos outros?

Quanto tempo levamos engendrando a melhor maneira de acudir as crianças que estão soltas e sem ninguém nas ruas?

Os velhos que estão abandonados nas sarjetas, à míngua, essa juventude drogadita que vagueia pelas madrugadas, entre picadas, pós, copos e sexo?

O que é que a nossa mente consegue elaborar, que possa vir em beneficio dessas criaturas?

Qual é o livro que estamos pensando em escrever? Qual é a música que queremos cantar? Quais os tipos de assuntos que valorizamos?

Qual é o teatro que eu gosto, os filmes pelos quais me apaixono, as letras e as músicas que me comovem?

O que é isso que dinamiza o meu mundo interior e que me dá forças para viver? Quais os amigos que eu tenho, que esforço eu faço para conquistar amigos? Como é que eu os preservo? Como é que eu sou amigo dos meus amigos?

Como é que eu trato minha esposa, meu marido, meus filhos, meus pais? Qual é a consideração que eu tenho por eles? Em que conta tenho o meu trabalho, em que conta tenho a minha religião?

São coisas sérias para mim ou são brinquedos dos quais me valho, para que eu tenha um determinado status social, para que eu tenha uma representatividade social, para que eu não seja diferente dos outros?

Importantíssimo é sabermos, nesse grande relógio do Universo, como é que pendulamos nós, para que lado vamos, de que lado viemos.


Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 205, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em agosto de 2009.
Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 05.09.2010.
Em 03.01.2011.

Abraços

J.L.Veiga

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